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Precisamos de novos antigos goleadores em Londrina
Colunas - Felipe Lessa
Escrito por Felipe Lessa   
05 de setembro de 2008 07:03
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Não bastasse a humilhante posição de ter que jogar a Copa Paraná, os torcedores londrinenses sentem falta de goleadores. Goleadores natos, daqueles que ajudam o clube. Os de hoje são incógnita. Ninguém sabe, ninguém viu, mas antes de aparecer para dar satisfação para a torcida que fica todos os dias no VGD, no boteco, na rua, no clube, já chamou logo a imprensa para dizer que era cover do Marcelinho Carioca. Um tal de Meme. Achando que vai chegar tomando wiski fino.

Pelo Londrina passou tambem um tal de Zé Louco. Um goleador nato. Daqueles que passaram vendo o clube nas pretensões medíocres que vive, fez amizade com o povo das arquibancadas e ainda ficou devendo o dinheiro da cachaça que consumiu na sede da torcida organizada.

Outro goleador foi Carlos Alberto Garcia. Na verdade ele foi um goleador de dois tipos. Quando jogador, levou o time ao auge de toda sua história. Como presidente foi o goleador de champanhe importado, no Aguativa Resort, junto com o Raul Plasman, ex-diretor do clube e jogador da seleção brasileira. Sua pretensão em gastar cerca de R$ 1500 do clube, por garrafa nas noitadas alcoólicas, ninguém sabe.

Mas foi uma pretensão presenciada e fotografada por gente de confiança. No entanto, apesar de todo charme londrino dos goleadores do arroto caro e importado, ídolos como Alexandre Bianchi ficam em dificuldade para golear o leite de cada dia.

E o João Neves então. Ainda sonha em receber as pendências que o clube deve. Para alicerçar sua carreira política, mesmo que seja fazendo campanha em boteco, da mesma forma como fez sucesso na terra pé-vermelha, na boemia do Zerão. Das vilas. Nos jogos de futebol amador. Camisa 4 que fez o gol do caneco em 92. Quebrou a perna de ídolo da capital. Virou ídolo eterno em Londrina e bebeu para comemorar.

No entanto, para a eternidade, tenho que falar de outros goleadores de péssima lembrança. Goleadores do mesmo nível do rapaz do champanhe importado. Das mesmas pretensões. Aldivino Generoso da Silva, Marcelo Caldarelli, Dorival Pagani, Persius Antunes Sampaio, Gilberto Pontes e Sidiclei Menezes. Empresários profissionais. As últimas revelações do Londrina Esporte Clube. A partir disso não somos mais referência em nada de futebol. Apenas em diretores de sucesso no futebol.

Na contra-mão, correu conosco outro bom goleador. Gente que em vezes (muitas) caiu no prejuízo por fazer parte da bandeira e da causa alvi-celeste. Nada mais justo que citar Agostinho Garrote. O homem da fabriqueta de papelão que não teve sua empresa enriquecida graças ao LEC. O eterno presidente que foi o grande homem londrinense e não recebeu título de cidadão honorário. O homem da cachaça barata com os torcedores de boteco e que honrava os compromissos do Londrina com dinheiro do próprio bolso, dos lucros do trabalho.

Destes humildes goleadores estavam também outros heróis. Entre eles, Freitas Nascimento, um paraibano porreta, dono da bodega e que chegou para por ordem na comissão técnica londrinense. Chegou rosnando, e não cantando de galo. Foi mais humilde. A cada difícil vitória, uma comemoração com a torcida, com os atletas. Mesmo que fosse apenas um gole.

Da mesma equipe que jogou no inicio do milênio no time de Freitas Nascimento, esteve o zagueiro Ivanildo, que também foi um dos homens de caráter que duelaram na batalha de Brasília, onde perdemos para o Gama por 3 a 0. Perdemos a chance de subir para a primeira divisão. Mas não perdemos o respeito e companheirismo do comemorador de carnavais diários. Que pagava cervejas na balada em troca da omissão: Não contem para o Freitas, por favor. Mas darei tudo de mim no jogo de domingo.

E a vida é essa. De gente assim que gostamos. Dos comprometidos. A torcida pede apenas orgulho e disposição ao usar a camisa alviceleste. Se gosta de um gole...No hay problema, tambien bebemos. O Londrina Esporte Clube nasceu de um grupo de goleadores nortistas que invejavam o Nacional, em Rolândia. De gente preocupada com a cidade. Com seus cidadãos.

Gente que torce pelo Londrina. Que não passa apenas para receber o seu no final do mês, sem compromisso algum. Gente que causou essa ressaca maldita que persiste entre os torcedores do Londrina. Gente que odeia goleadores do tipo os que só conhecemos pois existem pelo gole de cada dia. Apenas pelo gole.

 
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