Não bastasse a humilhante posição de ter que jogar a Copa Paraná, os
torcedores londrinenses sentem falta de goleadores. Goleadores natos,
daqueles que ajudam o clube. Os de hoje são incógnita. Ninguém sabe,
ninguém viu, mas antes de aparecer para dar satisfação para a torcida
que fica todos os dias no VGD, no boteco, na rua, no clube, já chamou
logo a imprensa para dizer que era cover do Marcelinho Carioca. Um tal
de Meme. Achando que vai chegar tomando wiski fino.
Pelo Londrina
passou tambem um tal de Zé Louco. Um goleador nato. Daqueles que
passaram vendo o clube nas pretensões medíocres que vive, fez amizade
com o povo das arquibancadas e ainda ficou devendo o dinheiro da
cachaça que consumiu na sede da torcida organizada.
Outro
goleador foi Carlos Alberto Garcia. Na verdade ele foi um goleador de
dois tipos. Quando jogador, levou o time ao auge de toda sua história.
Como presidente foi o goleador de champanhe importado, no Aguativa
Resort, junto com o Raul Plasman, ex-diretor do clube e jogador da
seleção brasileira. Sua pretensão em gastar cerca de R$ 1500 do clube,
por garrafa nas noitadas alcoólicas, ninguém sabe.
Mas foi uma
pretensão presenciada e fotografada por gente de confiança. No entanto,
apesar de todo charme londrino dos goleadores do arroto caro e
importado, ídolos como Alexandre Bianchi ficam em dificuldade para
golear o leite de cada dia.
E o João Neves então. Ainda sonha em
receber as pendências que o clube deve. Para alicerçar sua carreira
política, mesmo que seja fazendo campanha em boteco, da mesma forma
como fez sucesso na terra pé-vermelha, na boemia do Zerão. Das vilas.
Nos jogos de futebol amador. Camisa 4 que fez o gol do caneco em 92.
Quebrou a perna de ídolo da capital. Virou ídolo eterno em Londrina e
bebeu para comemorar.
No entanto, para a eternidade, tenho que
falar de outros goleadores de péssima lembrança. Goleadores do mesmo
nível do rapaz do champanhe importado. Das mesmas pretensões. Aldivino
Generoso da Silva, Marcelo Caldarelli, Dorival Pagani, Persius Antunes
Sampaio, Gilberto Pontes e Sidiclei Menezes. Empresários profissionais.
As últimas revelações do Londrina Esporte Clube. A partir disso não
somos mais referência em nada de futebol. Apenas em diretores de
sucesso no futebol.
Na contra-mão, correu conosco outro bom
goleador. Gente que em vezes (muitas) caiu no prejuízo por fazer parte
da bandeira e da causa alvi-celeste. Nada mais justo que citar
Agostinho Garrote. O homem da fabriqueta de papelão que não teve sua
empresa enriquecida graças ao LEC. O eterno presidente que foi o grande
homem londrinense e não recebeu título de cidadão honorário. O homem da
cachaça barata com os torcedores de boteco e que honrava os
compromissos do Londrina com dinheiro do próprio bolso, dos lucros do
trabalho.
Destes humildes goleadores estavam também outros
heróis. Entre eles, Freitas Nascimento, um paraibano porreta, dono da
bodega e que chegou para por ordem na comissão técnica londrinense.
Chegou rosnando, e não cantando de galo. Foi mais humilde. A cada
difícil vitória, uma comemoração com a torcida, com os atletas. Mesmo
que fosse apenas um gole.
Da mesma equipe que jogou no inicio do
milênio no time de Freitas Nascimento, esteve o zagueiro Ivanildo, que
também foi um dos homens de caráter que duelaram na batalha de
Brasília, onde perdemos para o Gama por 3 a 0. Perdemos a chance de
subir para a primeira divisão. Mas não perdemos o respeito e
companheirismo do comemorador de carnavais diários. Que pagava cervejas
na balada em troca da omissão: Não contem para o Freitas, por favor.
Mas darei tudo de mim no jogo de domingo.
E a vida é essa. De
gente assim que gostamos. Dos comprometidos. A torcida pede apenas
orgulho e disposição ao usar a camisa alviceleste. Se gosta de um
gole...No hay problema, tambien bebemos. O Londrina Esporte Clube
nasceu de um grupo de goleadores nortistas que invejavam o Nacional, em
Rolândia. De gente preocupada com a cidade. Com seus cidadãos.
Gente
que torce pelo Londrina. Que não passa apenas para receber o seu no
final do mês, sem compromisso algum. Gente que causou essa ressaca
maldita que persiste entre os torcedores do Londrina. Gente que odeia
goleadores do tipo os que só conhecemos pois existem pelo gole de cada
dia. Apenas pelo gole.