Pular navegação e ir direto para o conteúdo




Powered by Core Design
Início seta Colunas seta O Londrina e seus 2000 vagabundos
O Londrina e seus 2000 vagabundos
Colunas - Felipe Lessa
06 de novembro de 2008 04:41
regaca-tuba.jpgEm tempos de parcerias, contratos milionários e modernidade, o Londrina Esporte Clube por sorte não é o maior ou mais sofisticado nem de Londrina. Por lá, grande é o Corinthians. Ao alviceleste apenas restaram uns 2000 chucros, bêbados e desgraçados. Talvez por isso meu pai nunca gostou de minha constante freqüência nos jogos do Tubarão. Por ali, apenas os mais desqualificados foram os que ficaram para apoiar o clube da cidade.

O restante dos munícipes carrega rancor, ódio e profundo medo do Tubarão. O Londrina é o clube dos vagabundos. E essa é a fama de torcida, diretoria e jogadores. Esqueçam as hospitalidades e gentilezas cantadas no hino de João Arnaldo. Isso é coisa da cidade, mas no LEC é apenas fachada. E por isso o Londrina não é o maior clube da cidade. É um clube de elite. Apenas para os escolhidos.

Com certeza a idéia do atual e primeiro presidente engomado foi quebrar o estereótipo, os paradigmas. Fazer do Londrina um gigante moderno clube paranaense. Na teoria, é um ponto simples da evolução. Na prática não dá certo. Não deu, Peter não consegue. Dificilmente alguém vai conseguir. O pensamento, a atividade e o caráter primitivo faz parte da retórica do Londrina.

Vai ser assim para sempre. Foi assim que o Londrina chegou ao auge de sua história em 62, 77, 80, 81 e 92. Mas foi assim que chegou ao lamentável em 98, 2000 e 2004. E dessa forma talvez um dia o LEC volte ao lugar máximo do futebol brasileiro e ainda seja campeão. Eu acredito nisso, pode ter certeza. Nada impede que no ano seguinte o tuba abandone tudo e possa apenas jogar a Copa Paraná, decorrente de uma dívida qualquer acertada entre ex-jogador e ex-dirigente.

Esse é o Londrina querido. Londrina odiado. Imprevisível. É o clube das estrelas diferenciadas. Daquelas que vão além do Bem Amado. São estrelas como o Zambeta, ex-presidente, mestre, torcedor exemplar, que comprava jogadores com cheques voadores diferenciados. Mentia ser fazendeiro, usava os trajes de galope e assinava cheques com uma caneta paraguaia que a tinta sumia 2 horas depois. Zambeta, que já se foi, foi o homem forte do Tubarão. Homem de pulso que peitou a diretoria toda do Vasco em São Januário, na batalha de 77. Peitaria qualquer um.

Outro exemplar cidadão da casa é palmeirense. O maior dos presidentes, Franchello, amava tanto ao clube que no primeiro sinal de perigo não pensava para ligar na entidade máxima do futebol brasileiro ou justiça desportiva e ameaçar. Ameaçando os diretores afirmando ser presidente do Brasil procurador da república, até mesmo agente do exército, o maior dos londrinenses dava o seu recado. E quando a ameaça não dava certo, sempre havia um contato telefônico que colocasse um fim da energia elétrica de nossa confederação ou tribunal maior.

LEC é o clube do Caldarelli, que fazia pagamento em bois. Dava tiros para cima quando achava conveniente. LEC é o clube de um repórter cabra macho, que as vezes desmunheca, e que em toda a Copa do Mundo aparece em coletivas de imprensa com agasalho e camisa do Londrina ao invés de sua equipe de reportagem. Sem falar nos extras das viagens negociando a exportação de prostitutas brasileiras na Europa e EUA.

São muitas nossas estrelas. O herói de 92 sempre foi da boemia. O presidente da gestão do campeonato é fundador do maior rival, o Grêmio de Maringá. O da campanha Quem Ama Não Difama organizou o jogo do seu querido Timão em Londrina. Mas sempre vai aos jogos do Londrina para ficar batendo no peito e dizendo: Eu sou humilde e bato no peito. Amo o Tubarão.

É tanto teatro, tanta cena, que até mesmo a falta de educação de sua torcida contracenando o jogo atirando sacos plásticos lotados de urina nos visitantes vira folclore. Cada jogo do Londrina é um eterno culto aos vagabundos. Uma classe que não se mistura. Pois ninguém quer se misturar com a mesma. No dia que os vagabundos se unirem em torno de uma única causa chamada Londrina, serão imbatíveis. O problema é que então podemos virar fenômeno de massa, aquilo que o atual presidente sempre tentou fazer. Porém assim, os 2000 vagabundos vão perder a razão de existir. E o clube acaba.
 
< Anterior   Próximo >
Golden Blue Hotel Express