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Nomadismo encarecido no Paraná
Colunas - Felipe Lessa
01 de julho de 2009 03:16
Os clubes nômades do Paraná terão que pagar R$200 mil ao departamento de finanças da Federação Paranaense de Futebol caso queiram novas migrações. Basta saber se a FPF vai cumprir a nova resolução, ou conseguir colocá-la em prática. Nos últimos anos, virou moda não ter casa fixa para se jogar bola em nosso estado.

Diversos casos ocorreram apenas em 2009. A Portuguesa Londrinense esqueceu a parceria com o CAC e deixou Cambé, para jogar para média de 30 amargas testemunhas no Estádio do Café. Reclamou da falta de incentivo e por pouco não foi parar em União da Vitória, já que o Iguaçu caiu para a segundona e a Lusinha é uma das candidatas ao acesso.

Em Maringá, a Secretaria de Esportes da prefeitura de Silvio Barros está em negociação com diretores do Engenheiro Beltrão, para uma possível migração até a cidade canção. O próximo passo seria a mudança de nome, que ressuscitaria o Grêmio de Maringá. Uma das questões que ainda estavam em debate é: montar um novo GEM ou reativar algum dos tantos já finados? Alias, os bastidores afirmam que existe, também, uma negociação com Paranavaí e Cianorte.

Outro clube que pretende a migração é o Iraty. O empresário Sérgio Malucelli construiu um centro de treinamento em Londrina, está fazendo esquemas com o prefeito Barbosa Neto e disse que até 2010 pretende solucionar a questão. A idéia inicial do empresário seria uma parceria com LEC ou Lusa. Porém, nos bastidores do Conselho Deliberativo do Londrina, se diz que antigos diretores o convenceram a mudar de idéia. O argumento é que a transferência do azulão ou a criação de um novo clube seria mais vantajosa financeiramente.

Isso para não falar dos Amérios, de Umuarama, que após rebaixamento do Foz na elite do futebol paranaense negociou para jogar a segundona do estadual na cidade da fronteira.

Não podemos esquecer do Real Brasil, o time do Aurélio Almeida. Seus times jogaram em Toledo, Curitiba, São José dos Pinhais, Maringá e Ponta Grossa. Atualmente, os galácticos do terceiro mundo migraram à Brasília, junto com Inri Cristo.

E a Adap? Passou em Jacarezinho, Campo Mourão e depois largou o profissionalismo nos domínios maringaenses. Alias, lá ainda tem o Maringá Iguatemi. Esse aí nasceu em Pitanga, trocou de nome e sede, mas foi rebaixado para a terceira divisão do paranaense, em 2009, jogando diante de silenciosas arquibancadas em Paranavaí.

Termino tudo com o Corinthians Paranaense. Nasceu Malutrom, em São José dos Pinhais, morreu Malucelli, em Curitiba. Cogitou mudar para Maringá (poutz, sempre lá), mas agora planeja apenas algumas turnês pelo interior.

Resumindo. A cobrança desses R$200 mil pode ser o início de uma nova postura da FPF (algo que não acredito). Se não tomarem medidas mais energéticas para conter o assassinato do futebol local, o torcedor vai continuar vendo jogo na TV - reforçando as estatísticas que pregam o fim dos estaduais. Permanecer com estádios vazios, equipes sem identificação nas cidades onde atuam e atletas sem vínculos com seus clubes realmente não tem sentido. Mas vamos ver no que dá. Ao menos alguém vai ganhar com o nomadismo encarecido. O tempo nos dirá quem...
 
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