Os clubes nômades do Paraná terão que pagar R$200 mil ao
departamento de finanças da Federação Paranaense de Futebol caso
queiram novas migrações. Basta saber se a FPF vai cumprir a nova
resolução, ou conseguir colocá-la em prática. Nos últimos anos, virou
moda não ter casa fixa para se jogar bola em nosso estado.
Diversos
casos ocorreram apenas em 2009. A Portuguesa Londrinense esqueceu a
parceria com o CAC e deixou Cambé, para jogar para média de 30 amargas
testemunhas no Estádio do Café. Reclamou da falta de incentivo e por
pouco não foi parar em União da Vitória, já que o Iguaçu caiu para a
segundona e a Lusinha é uma das candidatas ao acesso.
Em Maringá,
a Secretaria de Esportes da prefeitura de Silvio Barros está em
negociação com diretores do Engenheiro Beltrão, para uma possível
migração até a cidade canção. O próximo passo seria a mudança de nome,
que ressuscitaria o Grêmio de Maringá. Uma das questões que ainda
estavam em debate é: montar um novo GEM ou reativar algum dos tantos já
finados? Alias, os bastidores afirmam que existe, também, uma
negociação com Paranavaí e Cianorte.
Outro clube que pretende a
migração é o Iraty. O empresário Sérgio Malucelli construiu um centro
de treinamento em Londrina, está fazendo esquemas com o prefeito
Barbosa Neto e disse que até 2010 pretende solucionar a questão. A
idéia inicial do empresário seria uma parceria com LEC ou Lusa. Porém,
nos bastidores do Conselho Deliberativo do Londrina, se diz que antigos
diretores o convenceram a mudar de idéia. O argumento é que a
transferência do azulão ou a criação de um novo clube seria mais
vantajosa financeiramente.
Isso para não falar dos Amérios, de
Umuarama, que após rebaixamento do Foz na elite do futebol paranaense
negociou para jogar a segundona do estadual na cidade da fronteira.
Não
podemos esquecer do Real Brasil, o time do Aurélio Almeida. Seus times
jogaram em Toledo, Curitiba, São José dos Pinhais, Maringá e Ponta
Grossa. Atualmente, os galácticos do terceiro mundo migraram à
Brasília, junto com Inri Cristo.
E a Adap? Passou em Jacarezinho,
Campo Mourão e depois largou o profissionalismo nos domínios
maringaenses. Alias, lá ainda tem o Maringá Iguatemi. Esse aí nasceu em
Pitanga, trocou de nome e sede, mas foi rebaixado para a terceira
divisão do paranaense, em 2009, jogando diante de silenciosas
arquibancadas em Paranavaí.
Termino tudo com o Corinthians
Paranaense. Nasceu Malutrom, em São José dos Pinhais, morreu Malucelli,
em Curitiba. Cogitou mudar para Maringá (poutz, sempre lá), mas agora
planeja apenas algumas turnês pelo interior.
Resumindo. A
cobrança desses R$200 mil pode ser o início de uma nova postura da FPF
(algo que não acredito). Se não tomarem medidas mais energéticas para
conter o assassinato do futebol local, o torcedor vai continuar vendo
jogo na TV - reforçando as estatísticas que pregam o fim dos estaduais.
Permanecer com estádios vazios, equipes sem identificação nas cidades
onde atuam e atletas sem vínculos com seus clubes realmente não tem
sentido. Mas vamos ver no que dá. Ao menos alguém vai ganhar com o
nomadismo encarecido. O tempo nos dirá quem...